#viajosozinha #viajosola

By Lu


Eu não sou uma pessoa muito politizada. Na verdade, nem é isso. Eu não sou uma pessoa que esbraveja muito minhas visões em redes sociais. Uso o Facebook e outras redes para bobeiras e entretenimento. Mas, sempre há exceções.

E semana passada uma exceção se iniciou, que foi o caso do assassinato das argentinas Maria José Coni, de 22 anos, e Marina Menegazzo, de 21, que deu início ao movimento #viajosozinha #viajosola.

Se você ainda não sabe os detalhes desse caso que me marcou, pode checar esta reportagem  do G1.

A paraguaia Guadalupe Costa fez um emocionante texto sobre o caso, intitulado Ayer me mataron – que viralizou nas redes. Recomendo muito a sua leitura.

Um adendo sobre o caso: Particularmente, não acredito na versão dada pelos assassinos – sim já capturados pela polícia. Segundo eles “as jovens aceitaram dormir em sua casa porque foram assaltadas e ficaram sem dinheiro.” Oi??? Acho difícil acreditar que essas duas meninas, que já estavam viajando, não iam primeiro buscar um telefone, ajuda em um hostel que fosse. Ao contrário, o primeiro instinto foi ir para a casa desses dois senhores voluntariamente.

Bom, esta é só uma opinião, até porque o foco aqui é outro.

Mas porque esse assunto me marcou tanto? Porque bateu muito perto de “casa”. Eu amo viajar e amo viajar sozinha.

Minha primeira viagem sozinha foi o resultado do acaso, mas a verdade é que hoje aprecio muito esse momento. Continuo gostando de viajar com a minha mãe a com amigos, mas viajar sozinha é muito diferente. Você pode fazer a mesma viagem e vai aproveitar de duas formas bem diferentes.

Então por que não posso me sentir segura viajando sozinha? Quando planejo uma viagem faço uma pesquisa mega extensa. Vejo que bairros são mais seguros, hotéis cujo ponto alto é a localização e acabo saindo pouco à noite.

Agora se pergunto a um amigo homem qual a preparação dele antes de uma viagem? Nenhuma. Eles escolhem o hotel que querem. Claro, se a cidade tiver um histórico violento, isso pode ser levado em consideração. Mas não o fato dele ser homem.

Agora, o que mais me espanta nesse caso é que Maria José Coni e Marina Menegazzo NÃO estavam viajando sozinhas. Eram duas amigas, em um país não muito estranho, cuja língua era a mesma que a delas. E a revolta vem das perguntas realizadas pelas pessoas: “ah que bairro que elas estavam andando?”, “viajando sozinhas? Procuravam né”.

Justiça seja feita, são perguntas que ouvimos quando vemos uma tragédia. Por exemplo, turista assaltado às 2 da manhã na Lapa, RJ, você já pensa: “mas não sabia que ali era perigoso ainda mais sozinho? Facilitou”.

Mas a verdade é que a frequência dessas perguntas é maior quando falamos de mulheres e, vamos dizer a verdade, mais degradantes. Insinuam que você estava querendo, que você não se vestiu de forma adequada, e por aí vai.

Até quando as próprias mulheres serão culpadas pelos crimes que acontecem à elas?

É por isso que hoje, no dia internacional da mulher, resolvi sair do meu silêncio político em redes sociais para trazer esse caso. Um caso que acredito que todas as mulheres devam conhecer, principalmente as que como eu amam viajar, sozinha ou acompanhada.

Para um mundo onde todas nós possamos #viajosozinha #viajosola.

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Maria José Coni e Marina Menegazzo

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